sexta-feira, 7 de junho de 2013

Fica.

Eu ainda não coloquei o pijama, estava meio ansioso e com um pouco de esperança de que você chegasse mais cedo do mercado e entrasse no facebook pra relutar com a distância e conversar comigo.

     A verdade é que a gente tinha decidido parar, cada um pro seu lado, sem tocar no assunto “nós”. Você nunca sabia o que queria e, na verdade, isso me irritava um pouco... Muito.  E nessas situações que eu percebi sua falta de credibilidade. Por que você insistiu tanto pra que eu fosse à sua casa e antes de ir embora me deixou falando sozinho? Não sei bem o motivo disso, mas quando for o caso de não querer me ver, é só dizer. Foi você quem insistiu.

     Eu poderia dizer que vou esperar todo o tempo do mundo, mas você sabe quanto tempo isso significa? Não dá pra pausar a vida por conta do medo. Você já se convenceu da vontade de me ter por perto, o que mais tinha que esperar? Entre intercâmbios de nãos e cuidadosos sins, os nãos prevaleceram, e é claro que eu cansei. Então eu não insisti mais. Ruim, não é?

     Depois a gente decidiu parar, cada um pro seu lado. Eu decidi parar no último não. Estava até em paz, conseguindo um rumo novo.  Então hoje eu acordo de manhã mais cedo do que de costume e com a cara sonolenta. Na sobra do tempo entro no tal site e aí eu leio a sua declaração, com a cara de que eu jamais poderia esperar por isso, - e eu não esperava – com fragmentos de Tati Bernardi, dizendo que sempre foi minha e que adora como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira quando não sou eu. Dizendo que o que você sente é mais que amor. Dizendo que começou a beber pra me esquecer, mas que não tinha dado certo porque sempre que você bebia, eu era a única coisa que vinha na sua cabeça e que você percebeu que eu estava pulando fora.  Eu estava... Até você dizer que quando eu queria você fugiu, e agora que você quer, eu fujo. Eu pensei nisso o dia inteiro, com medo de acreditar. No entanto, mal discutimos sobre o assunto depois. E eu queria perguntar se era isso mesmo, se agora você quer.

    E aí você disse que iria ao mercado, eu quase esperei, mas decidi ir dormir mais cedo, ainda com esperança de que você aparecesse antes de eu sair. Mas eu acho – felizmente – que me descravizei dessa situação – tirando as olheiras com as quais eu vou dormir hoje. E eu consegui ficar no meu sossego, depois de ter que mudar tudo o que eu era. Então o que eu te peço não é muito. Só não diz mais nada à toa. Se você quiser vir – e ficar – não pensa mais, só vem e fica.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tanto

Tem tanta coisa pra arrumar na mente, na casa, na vida
É tanto desconserto que precisa de reparo
É tanta crise que eu preciso de amparo
É tanta solidão que eu preciso de abraço
É tanta felicidade que tem que ter alguma festa
É tanto sorriso que eu preciso de partilha
É tanto beijo que eu quero dar na testa
E pedir pra que se cuide em cada despedida
É tanto desencontro que eu quero encontrar
Tanto nó que eu quero desatar
Tanta porta pra procurar uma saída
E arrumar a casa, a mente, a vida.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Dependência


    Com sua licença. Eu preciso te deixar só pra me encontrar. Não estou aqui como convidada, não sou bem vinda a essa parte da cena. Eu dirijo outro filme. Desse aqui eu não fiz o roteiro, nem ao menos participei do elenco. Você não me permitiu isso. Espero que você seja maduro o bastante pra reconhecer, principalmente agora... Agora que você precisa de um novo projeto pra seguir em frente. Posso ser sincera, como sempre? Eu nunca desejei o mal. Muito menos pra você. Eu sei dos seus valores. Mas você passou dos seus limites e eu sinto que tenho de ser cruel, pra você sentir a sua rejeição na própria pele. E obviamente eu te dou meu perdão. Eu também erro, não é? Pois bem, por mais errado que sejamos eu não quero sua ausência. Entendeu bem? Eu vou te deixar aqui, por um instante. Mas é só pra me encontrar. E depois eu volto. Mas não fuja. Espere. Sinta a minha ausência, mas espere. Com sua licença, eu volto. Pra ficar.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um Pouco Demais


   A vida é assim. Um pouco de tudo, um pouco depressa. Um pouco de tudo passa rápido, como fogo consumindo o papel, como o papel queimando e consumindo lembranças. Um pouco de riso, um pouco de choro. Um pouco demais, na verdade. Demais chuva, demais sol. Às vezes um tanto desnecessário de tempestades. Essas tempestades que fazem crescer e amadurecer, mas que a certo ponto nos fazem querer continuar na imaturidade a troca de não acumular tantos desesperos. 

   Isso configura fracasso? Não sei muito bem, afinal, o que configura o fracasso? Eu não sei bem o que eu quero, às vezes. E ao contrário desse senso comum, dessa massa que dita regras e tons, eu não vejo problema algum em não saber o que quer. Não sei mesmo, e daí? Se isso trouxer prejuízos, esses prejuízos serão direcionados a ninguém mais do que eu. E sabe, prejuízo por prejuízo, já tem muito filho-da-mãe providenciando pra mim, pra você, pra todos nós. 

   É um pouco demais de prejuízos pra não poder ter o direito de não saber o que quer pra si – ou o que não quer. A vida é assim. Tão acumulada de indecisões – e no meu caso, lotada de incertezas – e, por fim, depois de tanto desespero e preocupações, decidi (eu decidi!) que não é assim que a banda toca. Que a vida precisa do seu tempo, e que não saber o que quer não é um erro, nem mesmo uma escolha, é só uma condição. E eu posso seguir com o que eu sei que eu quero por enquanto, não posso?  

   A gente sofre tanto pelas coisas ruins que passamos, sofremos por coisas que ainda passarão, então pra quê arquitetar problemas inexistentes? Não, não, não. Uma hora, no tempo da vida, as coisas se encaixam, como no Tetris. E se não encaixar, clicamos em “tentar de novo”. Ou você acha que os nerds começaram seus jogos já sendo recordistas? A vida é assim, um processo construtivo, cheio de game-over, play again, ganhos e perdas de pontos. A vida é assim, às vezes demais, às vezes de menos. Quase sempre acima da nossa capacidade de compreensão. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Princípios?


   Debruçava sobre seus joelhos e lamentava a morte. Ninguém morrera. Algumas coisas ele estava vendo morrer aos poucos. Quando ouvia alguém falar sobre compreensão, já sentia a língua amarga do desgosto em saber que falavam daquilo sem nunca praticar. Sabia que lamentar não iria mudar o caminho desses fatos, mas também sabia que a tristeza e o desgosto não eram fáceis de descartar. Não era algo que podia-se simplesmente ignorar.

   Compaixão. Não sabiam o que era isso, mas se achavam no direito de receber. Assim como a justiça, pela qual queriam estar rodeados, e, ao mesmo tempo, recusavam-se a serem justos.
O homem ainda sentia o desgosto amargando sua língua. Se perguntava em como tudo estava se transformando em mera desimportância. Virou-se diante deles, maioria esmagadora. Percebeu que seria fácil ser um deles. Pouco afeto, e quem se importaria com uma discórdia? Afinal, desses, quase nenhum se importava com o que estava à sua direita, ou com o que estava à sua esquerda.

   Já havia concluído há tempos: tudo, com raras exceções, fazia parte de um individualismo duro.
Seria fácil fazer parte dessa maioria, mas não haveria mérito algum no final, pois aprendera que não há mérito no individualismo. Há de ser por alguém, e terá conquistas. Há de ser apenas por si próprio, e terá apenas solidão. Viu-se sozinho no mundo fora dos individualistas. Mas não era por si próprio. Era por eles, e decidiu ser por eles, mas não se transformara em um deles. Não era seu objetivo, embora fosse fácil se tornar um. Mas aquele homem almejava conquistas. E sabia que não seria fácil. Haveria um preço a pagar por ser diferente. Haveria um preço a pagar por praticar o que achava certo. Haveria um preço pela compaixão, pela justiça, pela compreensão e por todas as outras coisas que o mundo esqueceu para dar lugar ao individualismo.    
 
   Decidiu que pagaria um preço para mantê-los vivos, e não abaixaria mais sua cabeça sobre seus joelhos para vê-los morrendo. Vestiu-se de complacência, cobriu-se com a armadura que era composta por todas as coisas que acreditava, e foi à luta.

domingo, 4 de setembro de 2011

Ausência.

"Você não sabe meu celular, meu endereço, tampouco o que ando fazendo. Faz tanto tempo que não te vejo. Por onde você anda? As coisas deram certo? As risadas que ouço hoje são muito diferentes das que eu ouvia um tempo atrás. Os rostos, nem cito quantas diferenças têm dos que eu costumava ver diáriamente. Eu pensei que restariam alguns contatos. A agenda do meu celular já ficou desatualizada. Aliás, há tempos o troquei. Alguém bate à minha porta: não é você, nem qualquer um deles. São apenas amigos novos, pessoas legais ou não, que nunca tomaram o lugar dos outros. Imagino que você também não saiba nem meu celular ou endereço. As redes sociais estão vivas, mas ao mesmo tempo inexistentes pro nosso contato. Imagino que alguém também bata à sua porta, mas nesses momentos você também reflete que não sou eu por trás dela? A luz que aparece na sua janela não é o reflexo dos faróis do meu carro, é apenas a que seu vizinho novo acendeu. Às vezes eu vejo a luz do meu vizinho acesa também. Você deve ter um carro. O recado que você vê no seu perfil não é o meu. Eu também não vejo nenhum recado seu. O mundo parece tão pequeno. Mas o falível é que tão pequeno quanto o mundo, é o interesse. Eu lembro de ter procurado. Não lembro de ter sido respondida. Não sei se você também procurou. Houveram brigas, mas é nítido que os momentos bons prevaleceram. O que provocou esse destino, então? Pudera nós termos evitado isso, ou não era do seu interesse, como eu imaginei? Sua presença estampa cada parede da minha memória, já que as paredes do meu quarto não são as mesmas. Nem os lugares que frequentamos um dia. E quando volto neles, a nostalgia bate mais violentamente. Não sei se tinha conhecimento, mas você era um dos meus preferidos entre eles. A prova é que é você que eu estou evidenciando enquanto penso em todo mundo. Na minha memória é você que está sempre em evidência. Mas quanto à presença, falhou. Nem sei se seus trejeitos mudaram. Sempre que recordo deles me vem uma felicidade súbita, e uma tristeza por não presenciá-los mais. Aliás, os seus trejeitos eram os que mais encantavam. Cadê você com eles? Nossos assuntos, os quais eu não tinha com mais ninguém. Aqueles, que eu só tinha você com quem conversar. As indiretas que eu quis jogar, algumas que eu sei que você entendeu, outras que não tive certeza, e aquelas que foram tão claras que causaram até um certo constrangimento. Haviam épocas que eu não via muito sentido nas coisas, mas na sua presença elas pareciam tão simples... Era algum tipo de milagre que a amizade tem o poder de fazer. Eu queria esse poder aqui de novo. Ainda não consegui achar alguma dor que teu sorriso não pudesse curar ou amenizar. Será que um dia duvidou de mim quando eu disse sobre a importância que você exerce sobre mim? O encontro com eles era tão legal. Quando eu te via no meio deles era ainda melhor. Nada se compara ao que você me enviava. Ainda encontro alguns deles por aí. Meio mudados, perdidos, achados. As coisas mudaram realmente pra alguns. Mas e pra você? Peço tanto que esteja da mesma forma, com aqueles mesmos trejeitos. Quem dera viesse uma surpresa boa acompanhada de ti. Quem dera ir num show com você daquela banda que a gente curtia tanto. Quem dera você de novo. Qual é o seu endereço? O vizinho apagou a luz, não era o reflexo do farol de carro algum. Os amigos novos foram embora e ninguém mais bateu na minha porta hoje. Por onde você anda?"

sexta-feira, 22 de julho de 2011

INcertezas.


Os dias passam como se a única coisa que houvesse na cabeça das pessoas,
fosse a confusão. Os dias passam de uma forma com que as pessoas não
entendam mais o significado de viver e passam a se preocupar demais,
ou não ligar pra nada. Típico de uma mente perdida. As pessoas passam
pelos dias, os dias acabam e elas simplesmente esquecem a importância
do que são e pra que servem. As coisas que fazem não são mais produtivas
Os atos que tomam não são mais tão significativos, nem mesmo servem
pra alguma coisa pela qual elas realmente querem ter. Porque hoje,
os dias passam e as pessoas não sabem o que querem. O que você fez
ontem que te fez sentir melhor? O que você fez hoje que fez alguém
se sentir melhor? O que você pensa em fazer no futuro pra ver que
realmente nada disso vai ser em vão?
Falta viver. Tá sobrando muita coisa ruim pra pouca gente querendo
fazer melhor. Não há o que dizer, não há o que fazer. Falta de interesse
e eu só vejo gente perdida. Como já diria a velha música do Los Hermanos:
'O abismo que é pensar e sentir'... Antes as pessoas tivessem mais
certeza do caminho que querem seguir sem ficar especulando a opinião
alheia. O que eu mais vejo é gente pensando com os miolos alheios.
A partir do momento que você não sabe o que quer, e se deixa influenciar
de qualquer maneira, isso já passa a ser hipocrisia, e creiam: pessoas
assim, tão influenciadas e tão pegas pelo comum, pelo cliché, são as
que mais condenam a hipocrisia. Mal elas sabem que estão sendo alvo
de uma coisa que elas escolheram pra criticar. Deve-se tomar cuidado.
Com o que pensa, pra não dizer. Com o que diz, pra não magoar.
Não magoar, pra não tomar posições impulsivas. Não tomar decisões impulsivas,
pra não se perder... A partir daí, a identidade enfraquece. Você já
pensou o que você quer da vida? Tem que saber deixar ser influenciado.
Quem não sabe, se perde. Se esvai no obscuro da incerteza. Desde que
o mundo se tornou mundo, nada é mais importante do que escolher o
próprio caminho e pensar por si. E já se aprende, que essa certeza
é fundamental... O resto são incertezas.