O que a gente leva da vida é inversamente proporcional ao que buscamos nessa Terra, tátil, grande, onde ficamos imersos sob inúmeros sonhos, aos quais na maioria das vezes temos vergonha em abrir ao mundo os mais nobres e sinceros e demonstramos veemente os mais terrenos, materiais e obsoletos deles.
Parece vergonhoso admitir que sonha em acabar com a fome do mundo ou lutar por alguma causa social. Parece intimidador dizer aos outros que quer deixar um legado na literatura internacional. O mundo sempre nos subestima. Mas confunde-se interminavelmente o fato de sonhar e o fato de acreditar estar construindo alguma coisa chamada "sonho" quando você está inserido em uma realidade muito distante daquilo que você imaginou. Talvez, dentro de você, a sua maior conquista não seja uma conquista sonhada. Não um sonho real. Apenas uma vitória para inglês ver. A gente sabe como funciona. Aquela promoção na empresa de logística, ou a contratação na agência de publicidade. Talvez dentro de você, isso seja só a sobrevivência, e não o sonho. Talvez você quisesse ser um grande fotógrafo de natureza, ou um skatista profissional, sei lá. A gente leva a sério demais, se desgasta demais por coisas das quais os outros irão ver, como se você fosse um quadro social da desgraça exposto em um museu dos bons modos.
Porque claro, seguir um sonho é uma desgraça total. As pessoas amam a dificuldade que você encontra, porque ali elas acreditam que você não vai conseguir. Elas só não querem mesmo que você chegue lá. Ainda que você não queira chegar a lugar algum. A verdade é que ninguém deveria ser obrigado a chegar a algum lugar. E esse é o maior pecado de todas as gerações. Às vezes temos que entender e aprender que em qualquer jogo, não importa se você ganhe ou perca, e sim o quanto você se diverte, porque o que a gente leva da vida é inversamente proporcional ao que buscamos nessa Terra. Aberta, enorme, linda, pronta pra ser explorada e humanamente impossível de ter suas maiores riquezas exploradas em uma vida. E ainda assim, sem tempo pra isso tudo, mesmo assim, cultivamos humanos com obrigações impiedosas de aprisionamentos. Aprisionamentos do corpo, em escritórios e apartamentos, aprisionamentos da alma em preocupações e listas morais.
Você não pode falhar, você não pode morrer realizado. Os moralistas não querem isso. Caso você manche seu quadro de vida saindo dos padrões, vai se diferenciar demais. Eles não querem o seu destaque. Eles não querem te ver brincar ao invés de estar com o rosto ranzinza de preocupações.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Tanto
Tem tanta coisa pra arrumar na mente, na casa, na vida
É tanto desconserto que precisa de reparo
É tanta crise que eu preciso de amparo
É tanta solidão que eu preciso de abraço
É tanta felicidade que tem que ter alguma festa
É tanto sorriso que eu preciso de partilha
É tanto beijo que eu quero dar na testa
E pedir pra que se cuide em cada despedida
É tanto desencontro que eu quero encontrar
Tanto nó que eu quero desatar
Tanta porta pra procurar uma saída
E arrumar a casa, a mente, a vida.
É tanto desconserto que precisa de reparo
É tanta crise que eu preciso de amparo
É tanta solidão que eu preciso de abraço
É tanta felicidade que tem que ter alguma festa
É tanto sorriso que eu preciso de partilha
É tanto beijo que eu quero dar na testa
E pedir pra que se cuide em cada despedida
É tanto desencontro que eu quero encontrar
Tanto nó que eu quero desatar
Tanta porta pra procurar uma saída
E arrumar a casa, a mente, a vida.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Um Pouco Demais
A vida é
assim. Um pouco de tudo, um pouco depressa. Um pouco de tudo passa rápido, como
fogo consumindo o papel, como o papel queimando e consumindo lembranças. Um
pouco de riso, um pouco de choro. Um pouco demais, na verdade. Demais chuva,
demais sol. Às vezes um tanto desnecessário de tempestades. Essas tempestades
que fazem crescer e amadurecer, mas que a certo ponto nos fazem querer
continuar na imaturidade a troca de não acumular tantos desesperos.
Isso configura fracasso? Não sei muito bem, afinal, o que configura o fracasso? Eu não sei bem o que eu quero, às vezes. E ao contrário desse senso comum, dessa massa que dita regras e tons, eu não vejo problema algum em não saber o que quer. Não sei mesmo, e daí? Se isso trouxer prejuízos, esses prejuízos serão direcionados a ninguém mais do que eu. E sabe, prejuízo por prejuízo, já tem muito filho-da-mãe providenciando pra mim, pra você, pra todos nós.
É um pouco demais de prejuízos pra não poder ter o direito de não saber o que quer pra si – ou o que não quer. A vida é assim. Tão acumulada de indecisões – e no meu caso, lotada de incertezas – e, por fim, depois de tanto desespero e preocupações, decidi (eu decidi!) que não é assim que a banda toca. Que a vida precisa do seu tempo, e que não saber o que quer não é um erro, nem mesmo uma escolha, é só uma condição. E eu posso seguir com o que eu sei que eu quero por enquanto, não posso?
A gente sofre tanto pelas coisas ruins que passamos, sofremos por coisas que ainda passarão, então pra quê arquitetar problemas inexistentes? Não, não, não. Uma hora, no tempo da vida, as coisas se encaixam, como no Tetris. E se não encaixar, clicamos em “tentar de novo”. Ou você acha que os nerds começaram seus jogos já sendo recordistas? A vida é assim, um processo construtivo, cheio de game-over, play again, ganhos e perdas de pontos. A vida é assim, às vezes demais, às vezes de menos. Quase sempre acima da nossa capacidade de compreensão.
Isso configura fracasso? Não sei muito bem, afinal, o que configura o fracasso? Eu não sei bem o que eu quero, às vezes. E ao contrário desse senso comum, dessa massa que dita regras e tons, eu não vejo problema algum em não saber o que quer. Não sei mesmo, e daí? Se isso trouxer prejuízos, esses prejuízos serão direcionados a ninguém mais do que eu. E sabe, prejuízo por prejuízo, já tem muito filho-da-mãe providenciando pra mim, pra você, pra todos nós.
É um pouco demais de prejuízos pra não poder ter o direito de não saber o que quer pra si – ou o que não quer. A vida é assim. Tão acumulada de indecisões – e no meu caso, lotada de incertezas – e, por fim, depois de tanto desespero e preocupações, decidi (eu decidi!) que não é assim que a banda toca. Que a vida precisa do seu tempo, e que não saber o que quer não é um erro, nem mesmo uma escolha, é só uma condição. E eu posso seguir com o que eu sei que eu quero por enquanto, não posso?
A gente sofre tanto pelas coisas ruins que passamos, sofremos por coisas que ainda passarão, então pra quê arquitetar problemas inexistentes? Não, não, não. Uma hora, no tempo da vida, as coisas se encaixam, como no Tetris. E se não encaixar, clicamos em “tentar de novo”. Ou você acha que os nerds começaram seus jogos já sendo recordistas? A vida é assim, um processo construtivo, cheio de game-over, play again, ganhos e perdas de pontos. A vida é assim, às vezes demais, às vezes de menos. Quase sempre acima da nossa capacidade de compreensão.
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