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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Dos livros não escritos

   Eu não sei em quantos ombros eu chorei ou para quantas pessoas eu contei minha história, mas pretendo quem sabe esmiuçá-la no decorrer de um livro que eu sempre quis escrever. 
   Por enquanto, vou me sufocando com meus desesperos internos e me desufocando à medida que pouco a pouco as pessoas que aparecem se disponibilizam a me ouvir e me incentivam a não calar. Me aninhando em colos amigos, conhecidos e às vezes passageiros que me propõem não guardar aqui dentro tudo de uma só vez o que veio criando raízes ao longo do tempo, em parcelas.
   Decidida que nenhuma dessas eventualidades e cotidianos sirvam com intuito de recuperação ou de restituir o que eu já tive ou o que eu era antes de tudo desmoronar, mas com o objetivo de conseguir o respiro e o suspiro de hoje e de dar o próximo passo para um amanhã sem perspectivas. 
   Seguindo em frente buscando os apoios que vierem, levantando dos destroços das implosões repentinas que acontecem sem a malícia de um cérebro esperto disposto a prevê-las. Já não há forças pra preparar as emoções. Os embaraços acontecem, os tropeços vem com tombos quebradiços, e buscamos novos ombros, ou as mesmas pessoas, para desufocar outra vez. Respiro.   Há de ser dado mais um passo amanhã.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Por que a gente é assim?

Sigo tentando entender o amor.
Não o amor em si, mas todo esse lance de relacionamento e envolvimento, entende?
Talvez eu tente ainda entender porque bem, vai ver eu não sei lidar com isso. Vai ver é porque ainda me culpo muito por sentir. Será que muita gente é assim? Assim, sabe... Você fica com alguém, mas se gostar, não demonstra muito isso afetivamente. Vai que eu viro a doida que fica em cima? Vai que a pessoa acha ruim?

"Eu não ligo pro que os outros vão pensar. Sou só eu mesmo".

O cacete!

Se você fosse você mesmo, você ligaria, daria cara a tapa, faria mil elogios pr'aquela guria ou guri que você curtiu demais, de início, mas o envolvimento que você teria em uma semana sendo realmente você mesmo, você acaba conseguindo em, sei lá, dois meses. Ou nem consegue. Desiste por medo. Ninguém fala nada. Vida que segue. Outro cara, outra mina. Outro lance sem compromisso mas até conhecer alguém bacana de novo você martela o tempo todo na cabeça: "que bosta, por quê isso tá acontecendo?"

E por que será que a gente é assim?
Sabe toda aquela história de 'eu gosto de gente que demonstra, que sente e fala, que não faz a cultura do desinteresse'? Já parou pra pensar que pode ser só medo? Ou sei lá... Talvez a outra pessoa não queira nada mesmo. Vai querer pagar pra ver se não? Ninguém quer.
Isso pode ser uma prudência exagerada, ou um cuidado para a não-romantização-das-coisas porque afinal, sempre há a linha tênue entre as coisas serem incríveis ou ficarem tão desconfortáveis a ponto de toda coisa agradável transformar-se em impossível. E aí vira tudo um grande rebosteio em meio as possibilidades.

Vamos fazer o quê, afinal? A gente não quer parecer estranho. Nem estragar nada - mesmo porque se estraga alguma coisa é porque a pessoa é meio babaca, mas a gente não entende isso.
Nós, tão apegados a expectativas que nascem diretamente da cabeça sem prévia autorização, começamos a ter qualquer simples contato com alguém realmente legal apenas respirando por aparelhos, quase que com ataques de asma - se desesperando por não ter uma bombinha por perto, algo para parar e entender o que está acontecendo.
Tudo isso pelo ridículo fato de S E N T I R. De ser afetado pelo afeto. Tudo isso por apenas ser gente. E como eu disse, eu não to falando de amor não. Só de gostar. De, sei lá.... Vocês devem ter entendido. A gente só não compreende mesmo como aprender a mudar isso. Como que faz?