"Você não sabe meu celular, meu endereço, tampouco o que ando fazendo. Faz tanto tempo que não te vejo. Por onde você anda? As coisas deram certo? As risadas que ouço hoje são muito diferentes das que eu ouvia um tempo atrás. Os rostos, nem cito quantas diferenças têm dos que eu costumava ver diáriamente. Eu pensei que restariam alguns contatos. A agenda do meu celular já ficou desatualizada. Aliás, há tempos o troquei. Alguém bate à minha porta: não é você, nem qualquer um deles. São apenas amigos novos, pessoas legais ou não, que nunca tomaram o lugar dos outros. Imagino que você também não saiba nem meu celular ou endereço. As redes sociais estão vivas, mas ao mesmo tempo inexistentes pro nosso contato. Imagino que alguém também bata à sua porta, mas nesses momentos você também reflete que não sou eu por trás dela? A luz que aparece na sua janela não é o reflexo dos faróis do meu carro, é apenas a que seu vizinho novo acendeu. Às vezes eu vejo a luz do meu vizinho acesa também. Você deve ter um carro. O recado que você vê no seu perfil não é o meu. Eu também não vejo nenhum recado seu. O mundo parece tão pequeno. Mas o falível é que tão pequeno quanto o mundo, é o interesse. Eu lembro de ter procurado. Não lembro de ter sido respondida. Não sei se você também procurou. Houveram brigas, mas é nítido que os momentos bons prevaleceram. O que provocou esse destino, então? Pudera nós termos evitado isso, ou não era do seu interesse, como eu imaginei? Sua presença estampa cada parede da minha memória, já que as paredes do meu quarto não são as mesmas. Nem os lugares que frequentamos um dia. E quando volto neles, a nostalgia bate mais violentamente. Não sei se tinha conhecimento, mas você era um dos meus preferidos entre eles. A prova é que é você que eu estou evidenciando enquanto penso em todo mundo. Na minha memória é você que está sempre em evidência. Mas quanto à presença, falhou. Nem sei se seus trejeitos mudaram. Sempre que recordo deles me vem uma felicidade súbita, e uma tristeza por não presenciá-los mais. Aliás, os seus trejeitos eram os que mais encantavam. Cadê você com eles? Nossos assuntos, os quais eu não tinha com mais ninguém. Aqueles, que eu só tinha você com quem conversar. As indiretas que eu quis jogar, algumas que eu sei que você entendeu, outras que não tive certeza, e aquelas que foram tão claras que causaram até um certo constrangimento. Haviam épocas que eu não via muito sentido nas coisas, mas na sua presença elas pareciam tão simples... Era algum tipo de milagre que a amizade tem o poder de fazer. Eu queria esse poder aqui de novo. Ainda não consegui achar alguma dor que teu sorriso não pudesse curar ou amenizar. Será que um dia duvidou de mim quando eu disse sobre a importância que você exerce sobre mim? O encontro com eles era tão legal. Quando eu te via no meio deles era ainda melhor. Nada se compara ao que você me enviava. Ainda encontro alguns deles por aí. Meio mudados, perdidos, achados. As coisas mudaram realmente pra alguns. Mas e pra você? Peço tanto que esteja da mesma forma, com aqueles mesmos trejeitos. Quem dera viesse uma surpresa boa acompanhada de ti. Quem dera ir num show com você daquela banda que a gente curtia tanto. Quem dera você de novo. Qual é o seu endereço? O vizinho apagou a luz, não era o reflexo do farol de carro algum. Os amigos novos foram embora e ninguém mais bateu na minha porta hoje. Por onde você anda?"
domingo, 4 de setembro de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
INcertezas.
Os dias passam como se a única coisa que houvesse na cabeça das pessoas,
fosse a confusão. Os dias passam de uma forma com que as pessoas não
entendam mais o significado de viver e passam a se preocupar demais,
ou não ligar pra nada. Típico de uma mente perdida. As pessoas passam
pelos dias, os dias acabam e elas simplesmente esquecem a importância
do que são e pra que servem. As coisas que fazem não são mais produtivas
Os atos que tomam não são mais tão significativos, nem mesmo servem
pra alguma coisa pela qual elas realmente querem ter. Porque hoje,
os dias passam e as pessoas não sabem o que querem. O que você fez
ontem que te fez sentir melhor? O que você fez hoje que fez alguém
se sentir melhor? O que você pensa em fazer no futuro pra ver que
realmente nada disso vai ser em vão?
Falta viver. Tá sobrando muita coisa ruim pra pouca gente querendo
fazer melhor. Não há o que dizer, não há o que fazer. Falta de interesse
e eu só vejo gente perdida. Como já diria a velha música do Los Hermanos:
'O abismo que é pensar e sentir'... Antes as pessoas tivessem mais
certeza do caminho que querem seguir sem ficar especulando a opinião
alheia. O que eu mais vejo é gente pensando com os miolos alheios.
A partir do momento que você não sabe o que quer, e se deixa influenciar
de qualquer maneira, isso já passa a ser hipocrisia, e creiam: pessoas
assim, tão influenciadas e tão pegas pelo comum, pelo cliché, são as
que mais condenam a hipocrisia. Mal elas sabem que estão sendo alvo
de uma coisa que elas escolheram pra criticar. Deve-se tomar cuidado.
Com o que pensa, pra não dizer. Com o que diz, pra não magoar.
Não magoar, pra não tomar posições impulsivas. Não tomar decisões impulsivas,
pra não se perder... A partir daí, a identidade enfraquece. Você já
pensou o que você quer da vida? Tem que saber deixar ser influenciado.
Quem não sabe, se perde. Se esvai no obscuro da incerteza. Desde que
o mundo se tornou mundo, nada é mais importante do que escolher o
próprio caminho e pensar por si. E já se aprende, que essa certeza
é fundamental... O resto são incertezas.
domingo, 15 de maio de 2011
Reflexão em Quatro Rodas
Desde que entrei em uma nova escola, no primeiro ano, e comecei a usar desse maravilhoso - e ao mesmo tempo desconfortável - meio de transporte (ônibus), presenciei coisas que me fizeram refletir muito. Coisas que ouvi, coisas que vi e que certamente tomaram algum significado pra mim. E não há nada mais reflexivo do que a janela de um ônibus, de uma van ou um carro de passeio. Insisto dizer que sou uma escritora que não escreve. Já criei tantos textos, ensaiei tantas desculpas e discussões, escrevi tantas histórias na minha mente enquanto olhava pela janela numa viagem à escola, mas nunca escrevi de fato nenhuma delas. E nunca tentei. Jamais sairiam tão perfeitas como se formaram na minha mente. Todas as maneiras de estar em um carro, sendo sozinha, com amigos ou desconhecidos, te trazem uma situação: A mulher que desabafou sobre seus problemas familiares, a menina que contou sobre os problemas que vive em casa, o cara que fofoca e fala mal pros amigos de qualquer garota que lhe vem à mente. Ou então aquele que lê enquanto viaja ou aproveita pra dormir. E quando na companhia de amigos, inevitavelmente o que se ouve em um ônibus são gargalhadas e muita conversa. Entre tantos outros. Eu mesmo já sentei naquele banco bem isolado, lá na frente, coloquei meus fones e chorei. E não foi só uma vez. Assim como não é por uma vez que se vêem tantas reclamações, brigas e gargalhadas num ônibus. As pessoas criam e vivem momentos de importância num ato cotidiano tão corriqueiro e nem percebem que nesses simples acontecimentos viveram momentos importantes. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais eu chorei. E não nego que quando não estava triste sentada num banco isolado da frente, certamente estava em alguma farra com os amigos no fundão do habitual transporte coletivo (embora a ultima situação tenha diminuído drásticamente). Não foi só no caminho á escola. Mas também no caminho da viagem da escola, no caminho do cinema com os amigos ou pra qualquer outro lugar, em qualquer dia da semana. Dividir uma bolacha com um amigo próximo na poltrona, e conversar enquanto espera o veículo abastecer. Ver seus amigos descendo em seus determinados pontos até a hora de chegar a vez daquele... Justo aquele amigo descer e você já sentir saudade. E na hora da despedida, quando o rosto e as mãos ficam grudados no vidro, vendo uma pessoa especial do outro lado se despedindo, como na primeira viagem da pré-escola ou a distância que o destino simplesmente impôs entre você e alguém que você ama. Sejam quais forem os momentos vividos nessas circunstâncias, sem dúvidas você deve lembrar de algumas com êxito. Outras sentir nostalgia de lembranças de outrora que jamais voltarão a acontecer novamente com o mesmo sentido e importância.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Irremediável
É chato que todas as coisas que eu escreva, no fundo, sirvam pra expressar a mesma coisa. Ainda que eu acredite que alguém possa entender ou ao menos ler o que escrevi. Ainda assim eu lamento por todas essas palavras já serem um lamento. Por todos esses verbos e adjetivos serem os mesmos, e por todas as situações serem tão parecidas. Talvez elas sejam parecidas com as suas também, quem sabe? Ou não. Eu só dito aqui, minhas indecisões e meus pensamentos confusos, que talvez ninguém entenda. Minhas idéias, muitas vezes são pífias e minha forma de falar do sofrimento muitas vezes lamentavelmente insuportável. Que qualquer pessoa leia, com a capacidade ou incapacidade de ler as entrelinhas dessas frases confusas, o quanto eu lamento, o quanto eu comemoro, o quanto eu questiono.
Falando em Pessoas, hoje eu pensei na minha relação com elas. Com os amigos, principalmente. Com os mais próximos, com os mais distantes que costumavam ser mais próximos. Com os próximos demais e com os amigos que não me consideram tão amiga assim, infelizmente. E eu vim tentando abrir espaço para isso. Organizar os diálogos e os risos. Dividir as histórias pra que nenhuma delas fique presa a uma pessoa só. Porque quando isso acontece, EU fico presa a uma pessoa só. E eu sei que uma hora ela não estará mais lá. Seja qual for o motivo. E tratar de esconder o desabafo, engolir o choro. Me importar menos.
Eu tentei, por inúmeras vezes esquecer o que me deixava esmurecer. E não consegui. Cada dia eu tenho a dolorosa curiosidade de saber o quanto isso vai me consumir. Quanto tempo vai tomar até tudo voltar ao seu devido lugar. Eu não queria que evoluisse, apenas que parasse pra mim. É incalculável e incompreensível. Eu só espero passar. De novo, e de novo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Se desfazer da fonte e continuar bebendo água...
Tem uma pessoa que eu gosto muito que não gosta nem um pouco de uma outra pessoa que eu também gosto. Entende? E eu sempre defendi essa outra pessoa. Não havia razões pra intriga. Mas eu percebi que quem eu defendo tem uma opinião inversa sobre quem eu sou. Mas não sou igual àquela pessoa que 'não gosta dela'. Eu continuo tendo o mesmo carinho. Aliás, é curioso descobrir que muitas pessoas que eu gosto - mesmo não tendo intimidade - pensam totalmente o oposto de mim, do que eu penso sobre elas. Isso não me atinge. É estranho saber que não modificou em nada. Que essas pessoas tendo conceitos precipitados continuam sendo amáveis e amigáveis pra mim. "Idiota. Te metem o pau e você ainda dispõe de toda tua cordialidade."
Eu sempre fui assim: idiota. Não abro mão disso, não. Deixa pra lá, sabe? É tão necessário que eu prove quem eu sou? Vê quem quer. E não é preciso óculos, lentes ou zoom pra enxergar.
E mesmo assim. Eu insisto no meu altruísmo e na minha tentativa leviana de ser heroína... É tão fuleiro. Eu sempre quero ser a heroína de tudo e todos. Mas não tenho o dom. As coisas andam pro caminho oposto a cada tentativa. Eu faço tudo por nada. Até aonde dá pra confiar no taco alheio?
terça-feira, 20 de julho de 2010
A Escola da Vida
A vida é uma escola. É. A frase pode parecer clichê, mas seu significado é a coisa mais verídica no momento. A gente aprende (ou não) e os dias vão passando. Os que seguem os conselhos de seu professor, estão mais preocupados. E existem outros que não estão nem aí e não acreditam no mestre. Deus seria nosso professor. Há o aluno que quer viver livremente e explorar o mundo sem ao menos estudar sobre o que ele pode fazer. Há o aluno que está perdido, quer aprender, mas não sabe como, e acaba fazendo a coisa errada. E há aquele que sabe todo o regulamento da instituição, cumpre com cada parte dele. O aluno que não liga pra nada, repete. O aluno que encontra dificuldades, mas quer aprender, tem direito à recuperação e vai ao concelho. E o aluno dentro dos regulamentos, passa direto pra sua próxima fase. E quem julga tudo isso ? Quem é a Instituição, o professor e o Concelho ? Deus. É. É assim que estive pensando sobre a vida, nos últimos dias. Nós teremos que andar nas linhas pra que possamos passar para a próxima fase. Guardarmos um lugar bom lá, onde quer que Deus nos espere. E assim como a escola, também teremos nossas notas, nossos elogios e recompensas. Teremos um intervalo pra que possamos por as idéias no lugar. As férias, para que possamos descansar. Faremos amigos, nos decepcionaremos, levaremos suspensões (ou não) e seremos advertidos. Teremos momentos bons e ruins. Assim como a escola, a vida também é assim: com suas partes boas e ruins, com o único objetivo de nos fazer aprender e conquistar um lugar bom no futuro. E ao aluno bom, a felicidade de ter seu diploma.
Que aluno você é ?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
A Descrição do Vazio
Se formos falar do vazio comum, do vazio de qualquer coisa, essa palavra não tem descrição. Mas não é esse tipo de vazio do qual nos referimos. É o vazio de quem se sente oco. Quando raras coisas te fazem sorrir, quando você se dá conta de que não está feliz. Felicidade é uma impossibilidade agora. Mas quantos te entendem? Ninguém entende, e você sabe. Deus nos é bom... Pode parecer que não, mas ele nos deu dois pequenos furos nos olhos para que nossa tristeza caísse por ali, aos poucos. Ou pelo menos para nos aliviar a dor. Quanto pode ser a tristeza para nos perguntarmos a utilidade da nossa vida? Quão grande pode ser o buraco no peito a ponto de sentir o ar sair por ali e não te deixar respirar? Quanto nós podemos nos sentir desamparados a ponto de termos que abraçar nossos joelhos e ainda assim se sentir solto? É triste estar perdido na própria existência. É triste saber que todos querem ser diferentes. Mas hoje, mais do que nunca, eu quero que as pessoas sejam iguais, pra que elas possam me entender. Se uma pessoa não passa pelo mesmo que eu, ela jamais me entenderá. Jamais se importará. Pois bem... Quero as pessoas iguais agora. Quero um ombro igual ao meu, lágrimas iguais às minhas. Quero a pureza no coração do outro, a mesma que tenho no meu. Quero fincar minha esperança em companhias reais. Quero uma pessoa do lado, com a dor igual a minha. Eu queria... Quero. Talvez não fabriquem mais gente sensível. Gente igual, que entenda um ao outro. Fabricar? É. Parece que as pessoas são míseros produtos, mercadorias, robôs movidos a pilha. Sem qualquer sensibilidade. Ou talvez as pessoas não tenham mais problemas. É, eu não tinha pensado nisso. Talvez os problemas tenham simplesmente acabado pra elas, enquanto eu estou aqui, e os problemas acabando... Comigo. Tem alguém igual aí ?
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